segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Diverso Morro do Elefante

      Na primeira ida ao Morro do Elefante, Santa Maria - RS, subimos carregando armadilhas, sacos de argila, areia e litros d'água para o projeto de duas colegas do Laboratório de Mamíferos e Aves da UFSM. Quase morri, mas no outro dia fui de novo, ver os bichos que caíram nas armadilhas e as pegadas que iam ter nas parcelas de argila. Ás vezes, íamos apé desde a faixa de camobi até lá, subíamos a trilha principal e de ponto em ponto, entrávamos nas pequenas trilhas feitas por elas mesmas com ajuda de outros colegas que fizeram outros projetos ali.
   
     Para o projeto de pequenos mamíferos, da Gê Melo, colocávamos armadilhas no solo e em suportes nas árvores e arbustos. Pelas armadilhas, conheci muitos ratinhos-do-mato, os mais comuns, e também marsupiais como o gambá-de-orelha-branca, muito comum e também uma cuíca, um pequeno marsupial que escala as árvores, coisa muito fofa de se ver e bem rara aqui no Sul. Ás vezes aconteciam capturas acidentais, como  joão-de-barro e galinholas, ou até cutias e quatis.
                                       Rato-do-mato.                                     Quati.
                                   Akodon montensis                                Nasua nasua
                             Gambá-de-orelha-branca.                             Cuíca graciosa.
                               Didelphis albiventris                          Gracilinanus microtarsus

        As parcelas de argila e areia eram colocadas no solo com pedaços de lona embaixo. Elas serviam para o estudo de mamíferos médios, assim, quando os animais passavam as pegadas ficavam bem marcadas e com um guia podíamos identificar qual espécie era. Vimos várias pegadas, muitas pegadas de vaca também, mas muitas de cutia, tatu, quati, mão-pelada, porco-do-mato, veado, gambá, gatos-do-mato e até uma de tamanduá-mirim, dado da Bárbara, inédito para o Morro do Elefante.
                            Mãozinha de Mão-pelada                       Pegadinhas de tatu

    Há anos são realizados estudos de alunos da UFSM no Morro do Elefante. Na biologia, foram diversos, como sobre a comunidade de morcegos (Marcelo Weber e Dinah Pathek), de pequenos (Dani Lima e Gê Melo) e médios mamíferos (Bárbara Miotto) e de comportamento reprodutivo do tangará dançador (Franchesco Della Flora e Michele Brod), que está sendo continuado por alunas da graduação (Mariane Bolson). Porém, agora a Cidade dos Meninos, que foi um antigo internato de meninos da Igreja Católica, é o melhor acesso ao Morro do Elefante, mas foi vendida e os novos donos não querem deixar mais os alunos subirem por lá, apesar dos anos de experiência que tem sido passado adiante e das belas descobertas sobre a diversidade do local. Dizem os proprietários de agora ser perigoso e de responsabilidade deles caso algo aconteça. Porém, nada durante todos esses anos (desde 2005) aconteceu, além da área do Morro, pelo menos onde não é considerado base, não poder pertencer a ninguém, pois faz parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Antigamente, a passagem era tranquila, e um padre que cuidava do local e depois um caseiro que morou lá, sempre racebiam os alunos bem e se interessavam pelos estudos. Agora, os alunos estão tendo que mudar seus estudos, ou mudar a rota de subida ao morro para continuar os estudos, e a subida fica bem mais difícil sem passar pela Cidade dos Meninos.


      A Cidade dos Meninos é tão bonita quanto o Morro do Elefante, e a história dela deve ser preservada pelos novos donos. E bem que eles podiam incentivar atividades ecológicas lá, e não trancar os estudos não deixando os alunos subirem. Lá, entrando no Morro tem várias trilhas ecológicas que estão desativadas no momento. Além dos altares religiosos. Seguindo as trilhas e subindo bastante, quase até o topo, se chega em uma pedra, onde a vista é linda.
      No céu, dançam urubus, e passam berrando caturritas e tucanos. E nos dias de chuva, há quem se assuste com os gritos dos bugios. Está aí um dos lugares mais bonitos que já vi em Santa Maria, onde vi pela primeira vez os animais lindos na natureza! Acho incrível como um lugar tão próximo da cidade e com presença de gado, possui uma diversidade tão grande, e apesar de mesmo de lá de cima ouvirmos o barulho dos caminhões, alto-falantes e aviões que passam incessantemente, os animais não fugiram de lá.

Divulgando os marsupiais

      Aqui, mostro mais um trabalho de mamíferos da biologia. Distribuo assim, mais uma vez essas informações e deixo uma idéia de projeto p...